Notícias

Tags:



Voltar

ONCO 2016: integrando o oncologista clínico e o cirurgião do câncer gastrointestinal

7 de outubro de 2016

Em apresentação conjunta com o Dr. Luis Eduardo W. de Carvalho, participei do Simpósio sobre Diagnóstico e Conduta no Câncer Gastrointestinal, durante o ONCO 2016, dentro do XVIII Congresso Médico Amazônico, que ocorreu de 24 a 27 de abril, no Hangar, evento com apoio da Liga Acadêmica de Oncologia do Pará (LAOPA), contando com 11 conferencistas dos maiores centros brasileiros, e com mais de 300 participantes.

Falamos sobre a necessidade de, acima de tudo, adotarmos medidas de prevenção das doenças oncológicas, dando ênfase aos aspectos de predisposições familiares, fumo, álcool, hábitos alimentares, bactérias, vírus e realizações de exames previstos nos protocolos de prevenção, além de uma ampla conscientização da população sobre a importância dessas medidas. Também deixamos claro que, uma vez instalada a doença, que seja diagnosticada com a maior brevidade possível. O câncer do aparelho digestivo é uma doença de múltiplas faces e sua cura guarda uma relação diretamente proporcional com o tempo de diagnóstico e tratamento. Quanto mais cedo for identificada e tratada, maior a possibilidade de cura. Quanto mais tardiamente o for, mais remotas serão essas chances, apesar de todos os enormes avanços das terapias clínicas e cirurgias.

Para o esôfago, sabemos dos danos causados por fumo e álcool, bem como alimentos excessivamente quentes, que favorecem o aparecimento do câncer, bem como a presença do epitélio de Barret com atipias. É importante valorizar as queixas de dificuldades de deglutição, de rouquidão sem causas aparentes, além da realização de exames endoscópicos de rastreamento nos momentos adequados.

Para o estômago, é muito importante valorizar a história familiar, o hábito de alimentar-se com carnes conservadas em sal, consumo habitual de alimentos enlatados ou embutidos e falta do hábito de consumo de alimentos protetores, como verduras, legumes, frutas frescas e leite. Também preocupam a presença de Helicobacter pilori, as dificuldades de digestão para a carne vermelha, as sensações de saciedade precoce, o consumo abusivo de álcool, além de eventuais episódios de sangramentos e perda de peso inexplicável. Exames endoscópicos, conforme os protocolos, são imprescindíveis.

Para o intestino grosso, os cólons, é fundamental avaliar a história familiar, hábitos como o consumo excessivo de proteínas, gorduras e massas, deixando de lado alimentos ricos em fibras como frutas, verduras, legumes, os quais tem importante fatos de proteção. Há necessidade do consumo de, ao menos, um litro e meio de água por dia. O cuidado com a observação de mudanças persistentes do hábito de evacuação intestinal, além de anemia inexplicável ou de sangue nas fezes. A realização de colonoscopia irá proporcionar a identificação de pólipos precursores do câncer intestinal, e suas retiradas imediatas, ou então irá informar da presença de tumor já instalado, necessitando de tratamento.

Para o reto e ânus, a importância da presença de muco excessivo, sangramento e sensação de evacuação incompleta. O toque retal identificará massa atípica no reto, ou será pesquisada presença de HPV ou tumores, para câncer no ânus.

Os enormes avanços da oncologia clínica como marcadores oncogenéticos, estadiamentos refinados, além de quimioterapias modernas, terapias-alvo, imunoterapia e, principalmente, das abordagens humanizadas dos pacientes, nos tem proporcionado resultados extremamente animadores no trato dessa tão temível doença.

Autor: Dr. Jorge Alberto Langbeck Ohana – Cirurgião Geral do Câncer Digestivo pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), especialista pelo CBC e FBG. Membro da Associação Brasileira de Câncer Gástrico (ABCG); Cirurgião da Oncológica e do Hospital da Beneficente Portuguesa.