Artigos sobre Câncer

 



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Do Aparelho Digestivo
 

Os tumores do aparelho digestivo representam juntos uma grande fração dos tumores humanos. São praticamente incuráveis quando apresentam-se disseminados pelo organismo (metástases volumosas), daí a necessidade de um rastreamento precoce com o intuito de um diagnóstico da neoplasia na sua fase inicial, aumentando assim a possibilidade de cura e a melhoria da condição de sobrevida quando a cura não é possível.

Câncer do esôfago - Há mais de 1000 anos o tumor de esôfago vêm sendo reconhecido como causador de morte. É marcante a variação geográfica da incidência, sendo no Brasil a taxa de 7,01 e 1,98 em 100.000 habitantes respectivamente para homens e mulheres. A estimativa para o ano de 1997 é de uma taxa de óbitos de 4.630 casos e de um total de 6.550 novos casos. Embora a causa do câncer do esôfago seja desconhecida, existem condições predisponentes bem definidas como: megaesôfago (aumento do diâmetro), acalasia (falta de relaxamento do esfíncter de transição esôfago-gástrico), esôfago de Barrett (esofagite de refluxo), injúria cáustica, divertículos e agentes infecciosos (papiloma vírus). O consumo excessivo do álcool e o hábito de fumar isoladamente aumentam o risco de desenvolver o câncer de esôfago e , quando associados, multiplicam-no. A dieta pobre em vitaminas assim como a ingestão de compostos ricos em nitrato contribuem para esse estímulo.
O rastreamento precoce em pacientes assintomáticos não apresenta relação custo-benefício satisfatória, ficando reservado para os casos que apresentarem fatores predisponentes associados à ingestão exacerbada do álcool ou do fumo. Usualmente o primeiro sintoma é a dificuldade para ingerir os alimentos; esse, quando presente, é um sinal de doença, na maioria das vezes, já avançada . A perda de peso é outro sinal freqüente.
Embora a coleta de secreção no interior do esôfago por meio de uma sonda seja considerado o meio mais barato, mais cômodo para o paciente e com bons resultados, no nosso meio a endoscopia digestiva alta (biópsia + lavado) e o exame radiológico com ingestão do bário (contraste) são os métodos utilizados para o diagnóstico.

Câncer do estômago - O estômago é o órgão que vem logo após o esôfago no trajeto do alimento dentro do aparelho digestivo. Ele tem a função de armazenar por pequeno período os alimentos deglutidos para que possam ser misturados ao suco gástrico, o qual participa do processo de degradação química dos alimentos.
Até 1988 o câncer do estômago era a maior causa mundial de morte por câncer e a estimativa de 1980 era de que surgiriam anualmente 670.000 novos casos. No Brasil é a segunda causa de morte entre os homens e a terceira entre as mulheres. A taxa de mortalidade estimada para 1997 é de 10,19 e 5,06 por 100.000 habitantes, respectivamente para homens e mulheres . A taxa de novos casos para 1997 é de 19.820 casos em todo o Brasil para homens e mulheres.
Apesar da diminuição da incidência do câncer gástrico nos últimos 60 anos, tem-se notado um aumento na incidência do câncer da parte proximal do estômago (transição esôfago-gástrica), chegando a ser endêmica em algumas regiões como no Japão, parte da Europa e América do Sul, principalmente Chile e Costa Rica.
O prognóstico para o câncer do estômago é pobre, refletindo o diagnóstico na maioria das vezes tardio e, mesmo após um tratamento cirúrgico com finalidade curativa, o­nde o número de recidivas é muito alto. O câncer do estômago é mais comum nos homens, iniciando na faixa etária dos 40 anos e aumentando gradativamente, com o pico de incidência na sétima década de vida, sendo um pouco mais precoce nas mulheres.

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